Por quanto tempo vamos subir a escada rolante da vida, quando ela está descendo?
No alto dessa escada nos seduzem as novidades e nos angustia o excesso de ofertas. Para baixo há futilidade, solidão, esquecimento, drogas...lícitas ou não. Na dura obrigação de sermos “felizes”, embora ninguém saiba ao certo o que isso significa, nossos enganos nos dirigem com mão firme num caminho que se contradiz.
Todos falam de liberdade, mas somos escravos de muitos deveres. Diante de nós muitos bens, mas queremos mais. Em cada esquina, novas possibilidades, mas ainda não é o suficiente. Queremos permanecer, destruindo.
Nos consideramos modernos, mas nos sufocamos debaixo de preconceitos antigos, temos “padrão de qualidade física” para seres espirituais. Nossa sociedade que declara-se libertária é uma estante onde depositamos os que não servem como vasos de barro empoeirados.
Somos superiores com aquilo que vemos, e alienados alimentamos o “ter de”: ter de ser bonito, rico, animado, bem quisto...se não se enquadra, não serve. Tudo isso cansa.
Não temos mais tempo para a reflexão, questionar dá trabalho, é sem graça e não adiantada nada, pensamos. Tudo parece se resumir em nascer, trabalhar, arcar com dívidas financeiras e emocionais e lutar para se enquadrar em modelos que nos são impostos. Vejamos então o lado bom...podemos semear uma horta, uma família, negociar honestamente, praticar a caridade, ajudar numa cura, cozinhar para um grupo de amigos....mas cadê tempo? Se há, falta disposição. Tudo é muito tumultuado em nossos dias. Pouca trégua e nenhuma misericórdia.
Nossa cultura nos oprime. Cozinhar nunca foi tão chique, mas é proibido comer pois engorda ou faz mal. Falamos em sexo mais do que nunca, mas estamos exaustos demais em busca do prazer, deixamos o amor pra depois, tentando aprisioná-lo para o momento mais conveniente. Nosso momento, não o dele.
Nessa corrida, parar pra pensar é um luxo, um susto. Refletir dá melancolia, ficar quieto incomoda. Se questionarmos, corremos o risco de descobrir o quanto de tempo foi perdido e quantas oportunidades desperdiçadas. Daí o ônibus passou, a porta fechou, a festa acabou, a mulher desistiu...
Por fim, recorramos à bolsinha de medicamentos. Uma pílula para dormir e outra pra acordar, uma contra a depressão (que nos tira a libido) e mais uma para compensar isso (tirando nossa naturalidade). E aquela que todo mundo toma sem saber ao certo o motivo.
Somos modernos, quase o máximo!!! Conseguimos enganar até mesmo nossa consciência. Para o outro somos dinheiro, poder, beleza e prestígio. Para nós mesmos: delírio, fraqueza solidão e vazio.
Convencidos que pensar dói e de que mudar é incômodo, permanecemos tateando no escuro. Refletindo veríamos que existe uma grandeza em sermos humanos. Apreciar a natureza, partilhar afeto, isso nos diferencia dos demais animais e nos assemelha ao nosso Criador.