segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Lagartas não andam em bandos.


Rastejo sobre meu ventre...ora buscando alimento para meu corpo, ora buscando as palavras que deixaram de ser pronunciadas por egoismo, por medo de parecer fragil...tolices.
Calei quando deveria ter falado e falei quando deveria ter ficado calada. Como sempre meus doze pares de pernas so serviram para me confundir, escorregar, tropeçar.
Quando meu amor foi embora levou consigo nossa cumplicidade, rompeu minha linda de ceda e me fez sentir que teria de buscar forças para produzir novo fio, dessa vez mais forte.
Rastejo sobre meu ventre procurando a verdade nova e desconhecida que terei de trilhar. Passos que farao cair a velha pele que precisa ser trocada e deixada pelo caminho ladrilhado de gestos que não foram feitos quando eu mais precisei.
Procuro local seguro para me fixar. Com meu novo fio farei minha morada sobre a tranquilidade e a segurança de não depender de outro para ser feliz.
De dentro de mim vejo brotar proteçao e esperança. Me isolo.
Em meu casulo permaneço...durmo um sono convalecente pois preciso me recuperar. Feridas sao fechadas, cicatrizes tornam-se asas...e para cada dor do passado ha uma cor sendo pintada.Me transformo.
Depois de longo inverno, sinto o calor do sol na casca seca que me protegeu durante dias, meses talvez. posso finalmente sentir o aroma das flores.
Preciso sair...o medo de rastejar novamente me assusta mas a vontade de voar e quase incontrolavel. De repente percebo que o que me humilhava ja nao existe mais.
Rompido o casulo, caio. Me estico, firmo meus pes e me levanto. Sinto-me leve.
Abro minhas asas e levanto voo...de cima olho e percebo que ja nao estou mais so.
Paz, afinal.

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